domingo, 17 de janeiro de 2010

A Cantora Careca - Eugène Ionesco

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O Fogo

Os vaga-lumes brilham na floresta. Uma pedra pega fogo. O castelo pega fogo. A floresta pega fogo. Os homens pegam fogo. As mulheres pegam fogo. Os passarinhos pegam fogo. Os peixinhos pegam fogo. A água pega fogo. O céu pega fogo. As cinzas pegam fogo. A fumaça pega fogo. O fogo pega fogo. Tudo pega fogo. Pega fogo, pega fogo.

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Esta comédia de um único ato, ou melhor, anticomédia como disse o próprio Ionesco, caracterizada principalmente pelo surrealismo verbal. Foi criada a partir de um livro-texto para o ensino da língua inglesa, onde mostrava um casal conversando diálogos absurdos, informando um ao outro que era inglêses, que tinham três filho, que viviam em Londres, que tinham uma empregada chamada Mary, inglêsa como eles, que o teto ficava em cima e o chão embaixo, que a semana tinha sete dias, e que chamavam-se Smith. Focado principalmente na linguagem, faz uma previsão para o futuro da comunicação: a impossibilidade de diálogo entre as pessoas. A Cantora Careca foi um dos precursores da corrente estética teatral do pós-guerra, batizada de Teatro do Absurdo.